segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre Mim

Difícil escrever porque há várias de mim em mim. Uma delas cresceu orgulhosa suprindo com capacidade intelectual a vivência social da qual fui privada e achando que dessa fora era melhor que as outras pessoas. Me envergonho profundamente disso e frequentemente flagro a necessidade desse orgulho ser mantido através da admiração da minha “inteligência”. Outra é uma criança amedrontada diante da vida que pensava que com vinte anos saberia exatamente o que fazer, aos vinte não sabia, então acreditava que aos trinta não haveria mais insegurança e medo, os trinta estão chegando e me sinto tão insegura e amedrontada quanto quando viajei de ônibus pela primeira vez sozinha, naquela ocasião meu pai esperava um telefonema dizendo que estava tudo bem, aos trinta, ninguém espera telefonema meu só porque se está tendo uma experiência inédita. Outra tentou ser a filha perfeita para os pais, mas isso só acontecia na minha cabeça, porque como criança era carente, manhosa, chorona e questionava tudo (isso não mudou muito), ou seja, dava um trabalho danado pra ser criada, na adolescência pensava que era capaz de assumir todas as consequências dos meus atos, então mesmo limitada pela educação rígida resolvi decidir por mim, fiz (ainda faço) muitas bobagens, mas sim, assumi todas as consequências, elas pesam até hoje e novamente o orgulho fez eu pensar que por isso sou uma pessoa melhor que muitas com quem convivo. Mas foi justamente essas bobagens que fizer eu descobrir que minha família é como muitas, está do meu lado para o que der e vier. Finalmente a que não costumo exteriorizar e quando faço é com muito cuidado (que acabei de abandonar) porque ela tem vontades e desejos que não são aceitos de um modo geral é a parte de mim que quer revoltar, “chutar o balde e mandar essa porra toda à merda”, que quer fazer diferente, que quer amar e não sofrer, que quer usar drogas, que quer viajar sem destino, sem responsabilidade, sem compromisso; é como um leão, está sempre rosnando na minha mente mas mantenho enjaulada, alimentando apenas o suficiente para não morrer de fome, mas não com alimento suficiente para que tenha força para fugir. Essa parte de mim, como a vida, também me amedronta, mas por vezes penso que é a mais interessante que existe, a que realmente teria alguma história emocionante para compartilhar com o mundo.

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