quinta-feira, 19 de maio de 2011

Responsabilidade dos Pais

Nessa semana dois fatos me levaram a refletir referente a maternidade/paternidade e responsabilidade. Na Rua Borges de Medeiros, em direção a Rua Nossa Senhora,Toledo-Pr, passado o 39º Batalhão da Polícia militar. Bem cedo, por volta das 7:15h. Estávamos indo, a família toda ao concórdia, onde os filhos estudam, observei uma crianças, aproximadamente uns 12 anos, não mais do que isso com certeza, que levava (deduzi, para creche e escola) um bebê, não sei precisar a idade dele, e outra criança de aproximadamente 05 anos. Questionei meu marido: cadê os pais dessas crianças??? Cabe a uma criança de aproximadamente 12 anos ser responsável por duas outras??? E, principalmente, se por alguma fatalidade acontecer algo, quem terá responsabilidade na situação??? Meu marido, como sempre, não fez menção de que ouviu meus comentários e eu fiquei com essas perguntas martelando na cabeça. Lembrei também de um dia que estava indo trabalhar a pé, e vinham em direção oposta dois meninos de bicicleta, provavelmente iam para escola, o mais novo ao lado da calçada e o mais velho ao lado dele. Me pareceu muito responsável, ainda assim um carro passou, buzinou assustando os dois, e uma mulher brigou com eles para terem mais cuidado. Eu fiquei com interrogações: novamente onde estavam os pais que deveriam estar acompanhando eles??? E porque buzinaram??? Poque a mulher chamou a atenção??? Se ao meu ver eles estavam corretos, claro, não em fila indiana como é adequado quando anda-se de bicicleta, mas o mais velho estava em posição de proteção do mais novo. E, não é muita responsabilidade para uma criança cuidar de outra no trânsito?????
Esses questionamentos pulsaram muito forte na minha mente, na verdade pulsaram no ritmo do meu coração acelerado. Exagerada? Metafórica? Pode ser, mas isso porque o pior não aconteceu. Pelo menos não hoje, mas confesso, estou com medo de dirigir em horário que as crianças vão pra escola/creche. Isso porque estava levando minha filha à creche, meu marido tava junto, como no dia anterior tinha tido uma forte crise de enxaqueca, estava mais lenta, dirigindo em velocidade moderada, menor que a indicada para a via, por isso, passado o batalhão da polícia militar um carro se colou tão depressa na minha traseira, que me deu claustrofobia, me senti pressionada, mas não podia dar lado porque tinha uma ciclista, então ele que esperasse um pouco, assim que passei pela ciclista, abri para a direita e deixei ele passar, logo a frente havia outro ciclista, menino, 12 ou 13 anos, e um outro carro apressado atrás de mim, permaneci na direita, para ele passar e reduzi pra não me aproximar muito da criança que poderia não ter me visto, mas nesse instante o menino começou a direcionar para a pista, na minha frente, joguei para a esquerda então percebi que ele perdeu completamente o equilíbrio e que tinha um bebê na cadeirinha, como já disse meu coração disparou, a enxaqueca voltou, e foi só um susto, mas poderia ter sido mais uma de tantas fatalidades. É bem provável que ele tenha se desequilibrado por estar com a cadeirinha de bebê, quem já andou de bicicleta nessas condições, sabe que o peso do bebê torna mais difícil o equilíbrio, essa era uma das reclamações do meu filho, você não anda de bicicleta comigo, mas eu não sentia segurança e sempre tive medo desse tipo de acidente. Agora minha pergunta é outra: se essa criança tivesse caído na minha frente e eu atropelado, mesmo prestando assistência, de quem seria a responsabilidade, dos pais que deixaram duas crianças sozinhas no trânsito, ou minha que tive a infelicidade da estar dirigindo o carro?? Mesmo devidas responsabilidades apuradas, quem ficaria responsável pelas sequelas psicológicas minha e das crianças?? Que assistência receberíamos???
Posso dizer agora que estou com medo, com muito medo de dirigir, porque se houver um acidente, com adulto, onde fica claro a negligência ou mesmo seja um sinistro, a situação psicológica é uma, mas com uma criança, a responsabilidade é outra e eu não posso ser responsável por todas as crianças desassistidas que encontro em meu caminho.
Nesse caso cabe uma crítica: fácil ter filhos, onde os mais velhos assumem a função de pais. Não estou dizendo que não devem ajudar em casa com os cuidados, devem sim, devem ter responsabilidades e compromissos, mas no trânsito; no trânsito devem estar acompanhados de adultos. Quero uma campanha: crianças não podem ser responsáveis por outras crianças no trânsito, essa é função do adulto, pai, mãe ou responsável. E depois, se algo acontece, não adianta chorar, esse tipo tragédia já é prevista. Por mais educados e responsáveis que sejam os filhos mais velhos, são apenas crianças e não têm a experiência do adulto para reagir, para se cuidar, ainda mais para cuidar de outras crianças menores, que podem inclusive não obedecer o mais velho. Não vale a pena o risco, estamos falando de mais de uma vida. Vale a pena os pais assumirem sua responsabilidade de pai e mãe a acompanhar seus filhos à escola. Falo pela vida das crianças que estão desamparadas, sozinhas ao risco e sem escolhas. Falo isso, porque sei que as crianças precisam de acompanhamento, o meu não vai do carro para dentro da escola sozinho, sempre pede para ser acompanhado, isso porque ele se sente seguro comigo, essa é uma das funções dos pais, dar segurança, proteger, cuidar dos filhos, além claro de educar, amar... Mas isso já é outra história.

Nenhum comentário:

Postar um comentário