Esse é um texto bem pessoal que escrevi rapidamente e não corrigi antes de postar, me sinto um pouco ansiosa hoje, então peço que me perdoem pelos erros que certamente serão percebidos.
Ter criança em casa é mais do que um trabalho e uma recompensa afetiva, é lição de vida. Domingo de sol, um dia iluminado, com um calor gostoso. O meu pequeno não estava em casa, a tia o trouxe por volta de 16h. Antes disso eu e a minha pequena já tínhamos sentado na calçada tomar refri e comer bolachas enquanto nos maquiávamos como princesas.
O Henrique chegou, comeu umas bolachas, tomou um copo de refri e foi procurar na tv algum canal que passasse programa sobre animais. Encontrou um bem interessante e me chamou para assistir com ele. Em alguns momentos era legendado e eu nem tinha percebido, porque olhava para os animais com distração que certamente não ouvia a narrativa. Ele ficava irritado por não conseguir ler, aí me empenhei em prestar atenção, foi difícil, estava realmente dispersa e a Amanda passou o tempo todo se esfregando no meu colo feito gata siamesa e tagarelando.
Voltei para fora, me arrumei de forma confortável na cadeira e por acaso observei que as nuvens no céu moviam e direções opostas, com isso viajei por algum tempo, com intuito de tirar o Henrique da TV chamei o pra ver, ele não deu muita atenção, mas com não havia nenhum programa interessante ele veio com nós e uma verdadeira aventura começou.
Primeiro descobrimos na arminha de água dele uma aranha minúscula com ovos, tiramos muitas fotos e ficamos num dilema: matar ou deixar desovar? Por distração a coitada continuou vivendo. A Amanda trouxe alguns brinquedos que logo foram abandonados e substituídos pela imaginação.
Bem, a história começou, morávamos no mar, tínhamos uma casa confortável (fiquei imaginando que flutuava, mas não entrei em detalhes). Um pedaço de tijolo daqueles de seis furos era o jacaré rei que em todos os mares e o animal de estimação do Henrique, que era caçador, protetor dos animais (sim, um paradoxo, mas e daí?), era herói e atleta. Outro pedaço de tijolo daqueles maciço era um peixe que a gente comia todos os dias, um pedaço de tábua com um prego era o peixe prego que é o único no mundo que só é saudável pra comer frito (nessa parte ri muito). Por vezes a Amanda se tornava sereia, por vezes tirava a cauda e era minha filha. Me chamaram o tempo todo de vó, não entendi direito, mas deve ser porque eram adultos e... Melhor me conformar com essa ideia.
E essa brincadeira durou horas, mas horas mesmo, escureceu, eu fui pedalar e eles ainda brincaram um bom tempo antes de entrarem. Por não terem brincado com os brinquedos não queriam guardar, fiquei irritada e me perguntando: qual a verdadeira razão para comprar brinquedos para eles? E a resposta veio sem pestanejar: para satisfazer meu ego proporcionando uma alegria fútil e fugaz. Talvez por ter consciência disso que não brigo com a Amanda por maquiar as bonecas e por correr pelo quintal com elas nos braços. Provavelmente por isso brigo para o Henrique sair de dentro de casa e ir brincar, mas toda vez que faz isso é sem brinquedo, só com a imaginação.
Anotei isso porque quero ler próximo do dia das crianças e natal para tentar não me deixar levar pelo consumismo impregnado pela mídia. Vou tentar planejar uma comemoração que seja prazerosa para mim também (afinal tenho muito de criança, muitas carências) e que possa passar valor em ser, viver acima do ter e do comprar. Posso não conseguir, posso me frustrar e me render ao desejo de agradar ao invés de satisfazer, mas vou tentar.
Que bom essa reflexão, as crianças são mágicas mesmo, as vezes me recinto d não ter passado mais tempo brincando com elas. Acredito que esses brinquedos perdem sentindo pra eles depois de um tempo(uma semana) talvez seja hora de refletirmos melhor a maneira como passamos o tempo com elas e qual seria o melhor brinquedo e a melhor diversão (a imaginação e a presença dos pais, chega de deixar a midia e as grandes corporações dizerem como devemos criar nossos filhos.
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