Assisti esse filme no domingo, por indicação de uma pessoa especial. Confesso que é um título que não atraiu e a sinopse menos ainda. Mesmo com receio, afinal a pessoa que indicou não compartilha do mesmo gosto que eu, resolvi assistir, mesmo não gostando, até o fim. Grande foi minha surpresa que o decorrer da narrativa e a forma como foi desenvolvida me interessou. O filme todo é bom, paradoxal, mas bem interessante, vale a pena assistir. Embora que não quero falar do filme todo, apenas de uma única frase de uma personagem que valeu por todo filme. Ela fala em determinado momento que a gente está sempre esperando alguma coisa para mudar.
Nesse instante eu, sem controle dos pensamentos eu parei o filme para pensar e refletir o porquê de eu não mudar o que me incomoda. Sim, como muitas pessoas me atolo na rotina, sei claramente o que me incomoda e não tenho coragem de mudar.
É engraçado em como me sinto assim antes de qualquer mudança significativa, foi assim quando mudei para kitinete, foi assim quando mudei de serviço, foi assim quando decidi o curso que faria na faculdade e acho que será assim sempre.
E agora sinto uma necessidade crescente em mim de mudar, agora não, já faz um tempo, e pensei que estabilizando raízes com uma casa, um emprego estável esses desejos passariam, se conformariam em refletir através de um novo corte de cabelo, uma nova cor de roupa... Mas me enganei, minha essência é outra, minha alma precisa de intensidade. Eu preciso de loucura para viver.
Por muitas vezes me sinto andando com capacidade de voar e ainda ser boa mãe, aliás mãe de águias e não de pavão, que são lindos aos olhos dos outros mas não desfrutam do melhor benefício de serem pássaros: voar. Essa essência me atormenta, me assusta, na verdade me apavora, mas também não posso deixa-la, afinal seria sufocada pela existência abandonando o sonho da vida.
Tentei por muito tempo me adequar ao que era esperado de mim, mas minha essência é intensa. Quero sentir a adrenalina que acelera meu coração, me faz suar frio. Preciso sentir o vento tocando meu rosto. A liberdade, usufruir intensamente do meu livre arbítrio. E para isso, preciso me livrar das amarras sociais, da culpa por agir pelos meus instintos e finalmente conseguir a maturidade para ignorar as críticas bem como a força para arcar com as consequências, mas arcar sem reclamar, feliz, por saber que o quer que esteja acontecendo foi por opção, atitude e não por me entregar a rotina e me acomodar diante da vida, não por aceitação. Não tenho interesse em assumir a posição de espectadora.
Concluído como me sinto, concluído o que quero passar para meus filhos, basta decidir onde realmente quero estar, fazer um planejamento, pois com filhos, até mesmo as loucuras tem que ser planejadas, e agir. O Agir demanda muita energia, mas isso não é problema para mim.
Devaneios vividos, sonhos anotados, planejamentos iniciados, voltamos ao filme.
Como disse não comentaria o filme todo, mas vale uma observação sobre o personagem principal Benjaminn: era introspectivo e mesmo sendo criança em corpo de idoso tinha maturidade de aceitar sua condição de não ser tão velho quanto parecia. Fico imaginando a dificuldade que é ter tanta energia em um corpo que não acompanha. Por todas essas possibilidades de análises foi um filme que me apaixonou!
Obrigada Davi pela indicação, assisti por ser sugestão sua, de mais ninguém aceitaria uma ideia nada atraente.


ai, ameeeiiii, demais demais, obrigada Jak! Pela inspiração! Amei!
ResponderExcluirQue declaracao de amor ao Davi heim? rs... Assisti meio filme, quando comecei assistir, nao consegui terminar ainda, nao me lembro o porque de nao ter terminado, porque nao costumo fazer isso, mas com o passar dos anos vc verá que ficara assim, cheia de energia, mas sem forças, faz parte do envelhecer...o corpo nao acompanha o espirito, pois apenas o fisico envelhece o espirito jamais, portanto Jaque, curta sua juventude, pois o anos passam, e passam rapido. Boas idéias sempre...adorei a reflexao pra variar..
ResponderExcluirNão tinha pensado que com o passar do tempo só corpo envelhece e o espírito permanece jovem, isso dá tema para outro texto, porque explica perfeitamente como ainda me sinto criança e nenhum pouco adulta.... Algo que as vezes me deixa aflita.
ResponderExcluirsou um escorpião que chegou até aqui atravez do Bukowski
ResponderExcluirfazem horas que estou lendo tudo que vc escreve e achei maravilhoso.
pesso desculpas pelo meu português estranho é que eu sou do Uruguay, mas moro aqui no brasil.
parabens jaque
Bom escorpião, fico muito feliz em estar agrandando, tb sendo alguém escorpião imagino que vc se identifique mto com as tempestades que sou e escrevo.
ResponderExcluirObrigada pelo comentário!