Filhos, de novo, um assunto inesgotável para mim.
Comumente destaca falar da Amandinha, pois claro suas artes se sobre saem, me tiram do sério e me forçam a reflexões despertando o desejo de escrever. Por outro lado, as observações que faço do comportamento do Henrique, são como ele, tímidas, mágicas que despertam em mim um desejo de manter fundo e bem acesas no meu íntimo. Não consigo imaginar tornar público num blog os comentários doces, os olhares curiosos, as milhares de perguntas que por mais que me esforce não consigo responder, os gestos, carinhos e principalmente as vezes em que ele se isola no mundo dele onde toda a mágica existe e vive momentos de puro conto. Isso é muito íntimo e pessoal, mas íntimo e pessoal para ele, faz parte a vida dele, da história dele, que não é de espalhar, nem de chamar a atenção, nem de querer platéia e então espalhar toda essa beleza é quase um insulto à personalidade dele. Em respeito ao jeito discreto de ser do Henrique procuro não publicar suas façanhas.
Mas algumas são inevitáveis.
Ele gosta muito de usar botas, porque no entender dele, heróis usam botas. Ele tem todo um jeito ser altruísta, especial e bondoso de ver o mundo, então ser herói é uma ideia que o fascina, por isso frequentemente ele está em casa com a cueca por cima da calça, bota, uma espada presa na cinta e um fralda amarrada como capa. Aliás, estar em casa é modo de dizer, porque em casa ele só está fisicamente, no fundo ele está em seu castelo vivendo mil aventuras. Esse mundo, mesmo que eu conheço só uma pequena parte, me fascina, me encanta e até me orgulha, afinal tenho o privilégio de conhecer um mundo mágico, especial e único do meu filho por convite do próprio, sem pressão, apenas porque temos uma relação baseada no respeito e no amor, consegui o direito de ir e vir livremente pelo mundo dele, pela vida dele. Isso é algo muito especial, porque quantos são os pais que apenas vivem e educam os filhos, mas nunca conseguiram passagem livre ao mundo deles?
E, claro esse é um caminho de mão dupla, da mesma forma que eu tenho liberdade para entrar no mundo do Henrique e o respeito o suficiente para entender que quando estou no mundo dele, as regras são as dele, deixo meu mundo, sim eu também tenho um mundo mágico, com gramas verdes, sol e praias de portas abertas para ele. Essa troca é maravilhosa. E para mim isso reflete confiança mútua, já tive várias experiências em saber que ele disse muito timidamente coisas pessoais de sua vida, coisas que as mães devem saber, mas jamais saberiam se os filhos não contassem, só para mim, porque confia e sabe que terá a melhor orientação e o que eu disser não será uma repreensão nem uma crítica, será um conselho de alguém que acredita no melhor dele. E também já me senti plenamente à vontade de pedir para ele carinho, abraço, beijo ou para que ele deitasse um pouco comigo porque simplesmente estava triste, carente ou com dor de cabeça, esse gesto que me tira do pedestal de superior e me coloca como humana, com mais experiência, com mais vivência, mas humana, que como ele tem aflições e necessidades e inclusive com um gesto simples de carinho ele pode fazer se sentir melhor.
Foi muito gostoso durante o retorno de São Paulo, onde estávamos eu e ele num banco, o Davi e Amandinha mais no fundo em outro, ele me convidou a ser copiloto, ajudar a cuidar o tempo para que ele pudesse guiar. À princípio pensei que estivéssemos no ônibus mesmo, depois de uma bola fora: “cuidado a pista está escorregadia” descobri que estávamos num foguete ajato “não copiloto, estamos voando muito rápido num foguete ajato, temos que ter cuidado com o furacão que está se formando a nossa frente...” Então embarcada no jato, subi aos céus e voei muitas aventuras até ser chamada à realidade.
Dessas aventuras teria muitas a relatar, mas sinceramente, como já disse, é algo tão íntimo e único, que prefiro deixar entre nós. Mesmo porque, quem não tem um mundo mágico próprio jamais entenderia do que estou falando.
ai que lindo!! adorei! Acho que seu filho Henrique vai gostar de escrever, como vc. Hehehe, parabéns pra vcs!
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