Estou me tornando rabugenta e isso me assusta.
Toda essa minha metamorfose me amedronta, mal consigo me adaptar e gostar do meu eu, já vem a lagarta querendo virar borboleta novamente. Dessa vez a lagarta não se tornou uma linda borboleta de vida efêmera com cores brilhantes que apaixonam. Dessa vez se tornou uma mariposa, algo meio cinza, sem muita alegria, que mais assusta do que apaixona. Mas mesmo a mariposa tem seu valor, e é isso que estou buscando agora. Encontrar meu sentido, meu valor como mariposa, antes de uma nova fase chegar.
Não gostei muito de estar sem cores, sem vivacidade, sem toda a expansividade, sem muitas palavras, sem tumultos, mais ouvinte, menos falante, optando por um olhar ao invés de palavras. Me desconheço. Me desconheço ficando incomodada com perguntas de idosos sobre onde as crianças estudam quando estamos na lotação. Me desconheço incomodada com conversas superficiais, queria algo que pudesse me levar a uma reflexão para me tornar melhor. Onde encontrar conversas assim no dia-a-dia corrido?? Então opto pelo silêncio.
Todo esse inédito ser assusta as pessoas que convivem comigo, que não entendem minha essência de mudança. Que uma pessoa de encontros e desencontros em mim. Explicar é impossível e entender é desnecessário, aceitar é o que eu gostaria das pessoas que amo, mas elas insistem em questionar o que há de errado em mim. Não há nada de errado em mim, eu que sou assim, toda errada.
Embora que nada disso é realmente novo, porque eu não sei quem na verdade sou, e isso já perdura 27 anos, a novidade é apenas em como estou perdida. Às vezes estou perdida pensando ter me encontrado, às vezes estou perdida desesperada por me encontrar, às vezes estou perdida, mas perdida mesmo, sem rumo nenhum ou, como agora, que estou perdida, ciente de estar perdida, apenas porque meu corpo está num lugar e meu coração em outro.


ai q lindoo, tava com saudade dos seus textos *-* Parabéns!
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