segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

TPM

Não queria que meu blog fosse um diário, mas tenho tido dificuldade de isentar minha vida pessoal dos meus textos mesmo tendo muito tempo livre para pensar neles. Então, mais um texto pessoal.
Aos que convivem, conviveram e conviverão comigo, muito obrigada pela compreensão nesses momentos e por favor, desculpem pelas lágrimas inexplicáveis.




Taí uma coisa que pensei não ter. Desde adolescente pensei ser uma mocinha especial, afinal não tinha TPM, um mal incompreendido que assolava as mulheres que conhecia e incomodava minhas amigas.
Só recentemente conversando com uma amiga fiz um flashback mental e concluí que sim, tive, tenho e provavelmente terei TPM.  Cada período da minha vida é diferente. Quando adolescente, sentia uma vontade genuína de ver sangue de quem me incomodava escorrer enquanto lentamente a vida esvaia. Jamais, em tempo algum, eu admitira ou teria coragem de citar nomes. Mas isso explica porque em épocas apenas por passar perto de alguém ficava endemonhada e acabava brigando sem explicações, mal conseguia fazer as pazes já vinha tormenta de novo.
Sobrevivi essa fase, embora não é essa minha maior preocupação, todas as pessoas que conviviam comigo sobreviveram essa fase. Depois comecei a tomar comprimido e os sintomas mudaram. Incrível como tem dias que me sinto capaz de dominar o mundo por estar apenas com esmalte vermelho nas unhas e um vestido. Incrível como no outro dia tenho a sensação de que o mundo virou de cabeça para baixo e eu estou totalmente deslocada, me sinto tão emotiva e compadecia que a morte prematura de uma barata é capaz de ocasionar um choro desconsolado.
Nem meus filhos escapam da choradeira, o Henrique coitado, por vezes lembra de um dia que fez um comentário e eu chorei umas duas horas a fio. Agora se ele quer dizer algo parecido com o que disse naquele dia diz com todo cuidado, reforçando que é apenas um comentário. Pensando bem isso é bom, é um homem que está aprendendo desde cedo como tratar e conviver com uma mulher. Hoje rio da situação, mas naquela ocasião parecia que um pedaço de mim tinha sido dilacerado por garras impiedosas. Esse drama todo, sim!
No meu trabalho uma resposta mais rude é motivo para lágrimas no banheiro. Se ligo para alguém que não atende no segundo, terceiro toque, certamente viu a identificação e não quer atender, mais lágrimas. Se penso na minha vida ela parece tragédia grega, lágrimas. Se lembro dos filhos que deixei na escola sinto uma saudade imensurável e não controlo o choro. Se não penso em nada o vazio da minha mente me apavora e choro de novo. Se um mosquito me pica, é pessoal e minha reação é chorar.
Assim passo uns três dias. Levo dois para lembrar que é TPM, aí o terceiro dia relaxo, choro mesmo, bem tranquila que não é fim do mundo, é TPM e está no fim. Algumas vezes ouço comentário: mas o comprimido não ameniza? Respondo entre lágrimas: e você acha que está vivo nesse instante por quê?






Um comentário:

  1. E eu ainda estou na fase de ficar nervosa hehehehe Gostei mto do texto, só quem tem TPM sabe o que é ter uma palavra desencadeando as maiores emoções hehehehe

    ResponderExcluir